Pamonha - tradição de família


Não, gente, eu não sei fazer pamonha e por isso mesmo não vou passar a receita desta iguaria de milho.
Hoje, eu gostaria de relatar um episódio que há décadas se repete na minha família.
Desde que eu me conheço por gente, meus familiares e amigos se reúnem para fazer pamonhas. Nós passamos o dia todo no sítio desempenhando várias tarefas em meio a delícias de milho, onde a estrela principal é a pamonha.
O trabalho começa na roça, com a colheita das espigas, geralmente feito pelos homens, depois vem a parte mais chata: tirar a palha e os cabelinhos. As palhas mais bonitas e novinhas são separadas, pois servirão para embalar as pamonhas. Em seguida, os grãos são retirados das espigas manualmente e batidos no liquidificador com leite, manteiga e açúcar. Coa-se esta mistura numa peneira para separar o "bagaço" e só então começa colocar o líquido dentro de um saquinho feito de palha, que no nosso caso, é costurado à máquina. Fecha-se o saquinho com barbante e está pronta para ir ao fogo em grandes tachos. Depois de uma hora, mais ou menos, temos uma pamonha quentinha e cremosa para ser saboreada.
Esta empreitada começa cedo e se estende até ao anoitecer, com ocupação para todo mundo, homens, mulheres e crianças, todos ajudam.
Confesso que alguns anos atrás eu via mais entusiasmo nas pessoas e o "dia da pamonha" era uma festa, a família comparecia em peso. Hoje, são poucos aqueles que se interessam, principalmente os jovens, sendo assim, a tradição está correndo risco de acabar...
Eu até me proponho a aprender a "temperar" a pamonha e a fazer os saquinhos de palha, mas não consigo me ver no futuro, com a minha geração, fazendo pamonha.
Resolvi contar tudo isso porque no último sábado, passei o dia no sítio dos meus tios, Ambrósio e Alda, ajudando a fazer pamonhas, mas quando eu cheguei a festa já estava bem adiantada, então, me propus a ajudar na limpeza; eu fui lavando as louças enquanto as demais punham literalmente a mão na massa.
Abaixo tenho algumas fotos da linha de produção:

Tia Aninha, tia Lia, Maria José, Renata e Márcia.
Minha mãe costurando as palhas e Marilene colocando pedaços de queijo

Tio Zé, cuidando do fogo. Os sabugos são usados para manter as pamonhas submersas. Os anfitriões, tios Ambrósio e Alda  (Nenê).

Prontinha, esfriando sobre o "peneirão" e no meu prato.


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